5. Doenças mais comuns do rebanho leiteiro
- Mastite/ mamite: Mastite é uma inflamação da
glândula mamária, geralmente causada pela infecção por diversos tipos de
microrganismos, sendo as bactérias os principais agentes. É a doença mais
importante dos rebanhos leiteiros em todo o mundo devido à alta incidência
de casos clínicos, alta incidência de infecções não perceptíveis a olho nú
(infecções subclínicas) e aos prejuízos econômicos que acarreta. Como
resultado da inflamação, as paredes dos vasos sangüíneos se tornam
dilatadas e outras substâncias do sangue também passam para o leite. Entre
essas estão íons de cloro e sódio, que deixam o leite com sabor salgado, e
enzimas que causam alterações na proteína e na gordura. Devido às lesões
do tecido mamário, as células secretoras se tornam menos eficientes, isto
é, com menor capacidade de produzir e secretar leite. Ocorre também a
morte das células e a liberação de enzimas dentro da glândula, que
contribuem para agravar o processo inflamatório. Tudo isso prejudica a
qualidade do leite e causa redução na produção. Um conceito importante no
diagnóstico e controle da mastite é que os patógenos mais comumente
encontrados podem ser classificados em dois grupos: contagiosos e
ambientais. Os microrganismos contagiosos são aqueles cujas principais
fontes de infecção para o rebanho são o úbere ou canal da teta infectados,
ou lesões nas tetas infectadas. A disseminação desses agentes se dá de um
quarto infectado a outro ou de uma vaca para outra durante o processo de
ordenha. Os microrganismos ambientais estão normalmente disseminados no
solo, utensílios, dejetos, água ou outros locais e podem atingir a
extremidade da teta a partir daí. O CMT
(Califórnia Mastite Teste) é um teste muito empregado para identificar
vacas com mastite subclínica na fazenda. Necessita de uma raquete contendo
quatro cavidades e o reagente do CMT. Mistura-se o leite com o reagente,
homogeneíza-se e faz-se a leitura após 10 segundos. De acordo com a
quantidade de células somáticas do leite, forma-se um gel, de espessura
variada. Se a quantidade de células somáticas é baixa, não forma gel, o resultado
é negativo. De acordo com a espessura do gel, o resultado é dado em
escores, que variam de traços (leve formação de gel) a + (fracamente
positivo), ++ (reação positiva) e +++ (reação fortemente positiva).
(Fonte: Embrapa)
- Tristeza Parasitária Bovina (babesiose/
anaplasmose): A Tristeza Parasitária Bovina é uma infecção causada por
protozoários do gênero Babesia sp. e Anaplasma sp.,
possuindo alta prevalência na América do Sul. No Brasil, em especial,
devido ao clima tropical quente e úmido, a doença encontra condições
ideais para o seu desenvolvimento em quase todo o território do país
durante o ano todo, acarretando grandes prejuízos à bovinocultura de leite
nacional, uma vez que a patologia, além dos custos requeridos para seu
controle e tratamento, causa a diminuição da produtividade do animal e até
mesmo a sua morte. Os carrapatos são os vetores dessas doenças, em
especial os do gênero Boophilus sp., sendo que alguns fatores, como
idade e raça do animal, resistência imunológica, tipo de pastagem e a
estação do ano podem predispor ao seu surgimento. Todavia, é importante
ressaltar que alguns insetos hematófagos podem também atuar como vetores
no caso da anaplasmose, como as moscas dos gêneros Tabanus, Stomoxys,
Chrysops, Siphona e os mosquitos do gênero Psorophora. Entre
os sinais clínicos, podem ser citados anemia, fraqueza, febre,
constipação, icterícia, depressão, desidratação, falta de apetite e
respiração ofegante.
- Brucelose: é uma zoonose (o seja, doença que
pode ser transmitida do animal para o homem) causada pela bactéria Brucella abortus, a qual provoca
abortamento nas vacas em torno de 6-7 meses de gestação. Pode ser
transmitida ao ser humano pela ingestão de leite não pasteurizado, queijos
e ainda contato com sangue ou esterco dos animais. Entre os principais
sintomas da doença, estão a presença de aborto no terço final da gestação
e a retenção de envoltórios fetais.
- Tuberculose: é uma zoonose (o seja, doença
que pode ser transmitida do animal para o homem) causada pela Micobacterium bovis, podendo ser
transmitida pelo ar ou via entérica (intestino). É uma enfermidade de
evolução crônica, caracterizada pela formação de lesão de aspecto nodular,
denominada tubérculo, bem como lesões em gânglios, brônquicos e/ou
mediastínicos. Os sintomas aparecem no estágio final da doença. O animal
sofre grande perda de peso, apresenta dificuldade respiratória, tosse seca
e fraqueza geral.
- Febre aftosa: A febre aftosa é uma doença
viral altamente contagiosa, que afeta animais de casco fendido, entre os
quais se incluem os bovinos. Entre os principais sintomas, estão febre
alta, salivação, depressão, cansaço, anorexia e andar coxo, causado pelas
vesículas dolorosas que aparecem nos espaços interdigitais das patas do
animal. Deve ser prevenida com a vacinação dos animais sadios a cada seis
meses, a partir dos 3 meses de idade
- Leptospirose: é uma doença causada pela
bactéria Leptospira sp, que
aloja-se nos rins e fígado, causando hemólise ou destruição das células
vermelhas do sangue. Podem ser transmitidas por meio de contato com outro
animal infectado, água e alimentos contaminados. Entre os principais
sintomas, estão a urina avermelhada, abortamento e queda acentuada na
produção de leite.
- Clostridioses: é
uma intoxicação causadas por bactérias do gênero Clostridium. Estas
são anaeróbias, isto é, que se multiplicam na ausência do ar; podem
desenvolver formas resistentes, os esporos, capazes de permanecer nas
áreas contaminadas durante muitos anos. Estão presentes normalmente no
solo e no tubo digestivo dos animais, mesmo sadios. Produzem substâncias
tóxicas poderosas chamadas toxinas, responsáveis pelos sintomas e lesões
observados nos animais doentes, podendo provocar a morte dos animais.
Podem ser classificadas em gangrenas gasosas (carbúnculo sintomático e edema
maligno); enterotoxemias (Doença do Rim Polposo;
Enterotoxemia Hemorrágica; Enterotoxemia dos Bovinos Adultos; Hepatite
Necrótica Infecciosa; Hemoglobinúria Bacilar) e ainda doenças
neurotrópicas (tétano e botulismo). Estas são as formas mais recorrentes,
e apresentam como sintomas a paralisia dos músculos da locomoção,
mastigação e deglutição, sendo que a morte ocorre por paralisia
respiratória.
- Doenças de casco: é um conjunto de
enfermidades que afetam a extremidade dos membros do bovino incluindo pele,
tecidos subcutâneo e córneo, ossos, articulações e ligamentos. Representa
uma das principais doenças que acometem o gado leiteiro. Fazem parte deste
conjunto: dermatite digital, dermatite interdigital, flegmão interdigital,
hiperplasia interdigital (gabarro), doença da linha branca, erosão do
talão, pododermatite asséptica difusa (laminite), pododermatite asséptica
localizada, pododermatite circunscrita, pododermatite do paradígito e
pododermatite séptica. O principal fator de ocorrência é manejo intensivo
dos animais, por exemplo: dietas ricas em carboidratos, falta de apara dos
cascos e pisos úmidos e ásperos. Pode ser causada, também, pela dermatite
digital verrucosa. Qualquer que seja a causa inicial da DDB, sempre acaba
por haver a contaminação da ferida por bactérias, principalmente Fusobacterium
necrophorus e Dichelobacter nodosus, podendo ser agravada por
miíases e, se não tratada, causa uma infecção e inflamação generalizada do
dígito, levando a uma pododermatite séptica ou pododermatite necrótica ou
necrosante. Para tratar, deve-se realizar contenção adequada do animal com
rigorosa limpeza e higienização do local, lavando-o com muita água e sabão
e esfregando com escova. O gado de leite que recebe dietas altamente
energéticas deve ser tratado com rações tamponadas para se evitar a
acidose ruminal; realizar a apara anual dos cascos, no momento da secagem;
evitar a presença de umidade, fezes e urina nas instalações; limitar o
acesso a várzeas e baixadas úmidas e correção de pisos ásperos e com irregularidades.
Fonte: Vallée
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Mês |
MG |
SP |
PR |
Brasil |
Fev/2011 |
0,7285 |
0,7761 |
0,7513 |
0,7371 |
Fonte: CEPEA
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